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Perigos da Apneia Do Sono: quando pode matar? | Resmed Brasil

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Você pode morrer de apneia do sono? Entenda os riscos

Principais pontos

A apneia do sono é uma condição médica grave que pode aumentar o risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações potencialmente fatais se não for tratada.1234

A apneia obstrutiva do sono (AOS) grave está associada a um maior risco de morte cardíaca súbita e a uma redução da expectativa de vida, mas o tratamento adequado reduz significativamente esses riscos.56

A terapia de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) pode melhorar o sono, a saúde do coração e a sobrevida geral das pessoas com AOS.32

Pesquisas também mostram que a terapia com CPAP pode ajudar pessoas com AOS a viverem mais tempo.7

Entendendo a apneia do sono e os riscos de mortalidade

A apneia do sono é mais do que sentir-se cansado durante o dia ou roncar frequentemente, perturbando seus entes queridos. Trata-se de uma condição médica grave que pode aumentar o risco de problemas de saúde fatais se não for tratada. A apneia do sono pode contribuir para complicações de saúde potencialmente fatais, que podem levar à morte. Além disso, muitos estudos apontam a apneia do sono como um fator de risco para mortalidade.

O que é apneia do sono?

A apneia do sono é um distúrbio em que a respiração para por curtos períodos durante o sono. Esse padrão de respiração interrompida pode causar sono de má qualidade e cansaço durante o dia.1 A condição pode variar de leve a grave, dependendo da frequência com que a respiração é interrompida. Em adultos, a respiração pode parar apenas 5 vezes por hora nos casos leves. Entretanto, em casos graves de AOS, o processo respiratório pode ser interrompido por mais de 30 vezes por hora.2

A apneia obstrutiva do sono (AOS) é o tipo mais comum de apneia do sono e ocorre quando há obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono. Já a apneia central do sono é menos frequente e acontece quando há falha do comando respiratório pelo cérebro, sem obstrução das vias aéreas.1

A apneia do sono provoca pausas na respiração, que podem durar de 10 segundos a mais de um minuto. Essas pausas impedem que os órgãos recebam oxigênio. Normalmente, os níveis de oxigênio no sangue durante o sono variam entre 96% e 100%. Para pessoas com apneia do sono, esses níveis podem cair significativamente (em alguns casos, caem para menos de 88%).3 Se isso ocorrer, pode indicar um problema de saúde grave, e você deve procurar atendimento com um profissional da saúde imediatamente.

O funcionamento adequado do coração, dos pulmões e do cérebro depende de níveis adequados de oxigenação. Na apneia do sono, episódios repetidos de interrupção da respiração durante o sono podem causar quedas intermitentes da oxigenação, contribuindo para o aumento do risco de diversas condições cardiometabólicas e neurológicas, como:

  • Doenças cardíacas
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Depressão
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Hipertensão arterial
  • Doenças renais

Se não for tratada, a apneia obstrutiva do sono grave pode aumentar o risco de ataque cardíaco em 2,6 vezes.5 Além disso, pessoas com AOS grave apresentam um risco 123% maior de acidentes com veículos motorizados.6

A falta de sono de qualidade também pode tornar a vida diária mais desafiadora. Dormir mal pode causar algumas consequências como: cansaço mental, dificuldade de concentração, menor produtividade no trabalho e relações tensas com os entes queridos.

A apneia do sono pode ser diagnosticada somente por um profissional da saúde. Pessoas com essa condição podem apresentar sintomas1 como:

  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Dores de cabeça pela manhã
  • Sensação de irritação ou alterações de humor
  • Dificuldade em se concentrar, dificuldade em se sentir presente durante o dia
  • Roncar ou ter dificuldade para respirar durante o sono
  • Acordar frequentemente durante a noite
  • Idas frequentes ao banheiro à noite
  • Dor no peito durante a noite
  • Sensação de que o coração está batendo forte ou acelerado (palpitações cardíacas)

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Como a apneia do sono pode afetar a expectativa de vida

De acordo com uma pesquisa realizada com mais de 1 milhão de pessoas, a apneia obstrutiva do sono (AOS) não tratada aumenta o risco de morte, mesmo depois de levar em consideração outros fatores de risco à saúde.7

Pessoas com apneia do sono também apresentam um risco 83% maior de sofrer lesões em comparação com aquelas que não têm o distúrbio do sono.8 Essas lesões incluem: quedas, acidentes de trânsito, fraturas e traumatismos cranianos.

Pessoas com apneia do sono também têm quase 7 vezes mais chances de cometer suicídio e aproximadamente 11 vezes mais chances de causar danos a outras pessoas.8

Embora a AOS possa estar associada a uma redução da expectativa de vida, raramente aparece em atestados de óbito.9 Quando pesquisadores entrevistaram profissionais da saúde, descobriram que apenas 12% deles indicaram essa condição como causa de morte.9

Na maioria dos casos, a AOS é listada como uma causa secundária ou contribuinte. Em um estudo de 2025, pesquisadores observaram uma tendência crescente de mortes relacionadas ao coração associadas à AOS. No entanto, foi constatado que a condição estava sub-representada nas certidões de óbito.10

Como a apneia do sono pode levar à morte

A AOS não tratada aumenta tanto riscos de curto prazo quanto riscos cumulativos ao longo dos anos, sobretudo em pessoas com doença cardiovascular ou hipoxemia noturna mais acentuada. Os eventos respiratórios do sono podem contribuir para desfechos agudos durante a noite, como arritmias e morte súbita. Já os efeitos crônicos são mais comuns e incluem pior controle da pressão arterial, maior risco de doença cardiovascular e AVC, além de maior risco de acidentes relacionados à sonolência diurna.

Como as pausas repetidas na respiração podem levar a quedas perigosas nos níveis de oxigênio no sangue,4 pessoas com apneia obstrutiva do sono (AOS) não tratada podem sofrer uma sobrecarga adicional no coração e nos pulmões. Com o tempo, isso pode contribuir para outros problemas graves de saúde, como eventos cardíacos súbitos.12

Com o passar do tempo, períodos de baixos níveis de oxigênio no sangue danificam órgãos vitais.13 O coração precisa trabalhar mais, o que faz com que a pressão arterial aumente. Isso pode contribuir para doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e distúrbios metabólicos. Os indivíduos também podem apresentar problemas neurológicos, incluindo falta de concentração e perda de memória.

Entendendo a diferença entre AOS e asfixia

Na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar pelas vias aéreas superiores pode ficar parcialmente ou totalmente bloqueada durante o sono. Isso acontece porque os músculos da garganta relaxam excessivamente ao dormir, facilitando o estreitamento ou colapso dessas vias e interrompendo a respiração por alguns momentos.

Quando isso acontece, menos oxigênio chega ao corpo. Normalmente, o cérebro percebe isso imediatamente. Ele alerta o corpo para acordar ligeiramente, para que você possa começar a respirar normalmente novamente. Você pode não se lembrar de ter acordado, mas isso pode acontecer muitas vezes durante a noite.

A apneia obstrutiva do sono não equivale à asfixia. Na AOS, os episódios de interrupção da respiração são repetidos, transitórios e acompanhados de respostas automáticas do organismo que restabelecem a ventilação. Já na asfixia, a obstrução é contínua e sustentada, impedindo a entrada de ar de forma prolongada, sem um mecanismo fisiológico eficaz de recuperação espontânea da respiração.

Apesar dessa diferença fundamental, ambas as condições podem causar danos. Enquanto a asfixia representa uma emergência imediata, a apneia do sono atua de forma cumulativa e, quando não tratada, pode aumentar o risco de problemas graves de saúde ao longo do tempo.

Complicações de saúde e expectativa de vida

Estima-se que aproximadamente 34% dos homens de meia-idade e 17% das mulheres de meia-idade tenham apneia obstrutiva do sono (AOS).14 Quando não tratada, essa condição está associada ao desenvolvimento de complicações de saúde que podem impactar a qualidade e a expectativa de vida. Felizmente, o diagnóstico e o tratamento adequados podem reduzir de forma significativa esses riscos à saúde.

Complicações cardiovasculares

De acordo com a American Heart Association, pessoas que vivem com AOS não tratada têm uma chance muito maior de desenvolver hipertensão, insuficiência cardíaca ou doença arterial coronariana do que pessoas sem essa condição. Quanto mais grave for a AOS de uma pessoa, maior será o risco de complicações cardíacas.14

A apneia obstrutiva do sono e a saúde cardíaca parecem influenciar-se mutuamente. Isso pode criar um ciclo em que uma condição agrava a outra. Por exemplo, até 80% das pessoas com hipertensão arterial não controlada atendem aos critérios para AOS.15

A AOS aumenta o risco de parada cardíaca súbita durante o sono. Um estudo mostrou que pessoas com AOS tinham mais do que o dobro de chance de morrer por morte cardíaca súbita, entre a meia-noite e as 6h da manhã, em comparação com aquelas sem AOS.16

Por fim, a AOS pode afetar negativamente os vasos sanguíneos.17 Essa condição faz com que os vasos se tornem mais espessos ou rígidos, alterando a eficiência com que funcionam. Isso reduz o fluxo sanguíneo para órgãos vitais e contribui ainda mais para o risco de doenças cardíacas.

Risco de acidente vascular cerebral (AVC)

Entre as pessoas que sofreram um AVC, mais de 7 em cada 10 tinham apneia obstrutiva do sono (AOS).18 Quando as pessoas com AOS sofrem quedas nos níveis de oxigênio no sangue, o corpo ativa respostas de estresse que podem aumentar a pressão arterial, um fator associado a um risco mais elevado de AVC.

Com o tempo, as mudanças repetidas nos níveis de oxigênio associadas à AOS podem afetar a função cerebral e têm sido relacionadas a ataques isquêmicos transitórios.19 Esses efeitos podem aumentar o risco de danos cerebrais permanentes e de um AVC isquêmico completo.

Vários estudos demonstraram uma taxa mais alta de AVC entre pessoas com AOS em comparação com a população geral. Pesquisadores observaram um risco 1,5 vezes maior de AVC em pessoas com AOS, em comparação com aquelas sem o distúrbio.20 Outro estudo mais recente relatou que mais de 90% das pessoas que sofreram um AVC tinham AOS. Desses indivíduos, 70% apresentavam AOS de moderada a grave.21

Outras complicações graves de saúde

Além das doenças cardíacas e do AVC, pessoas que vivem com AOS podem enfrentar outras complicações de saúde. Por exemplo, 72% das pessoas com diabetes tipo 2 também têm AOS.22 Existe também uma relação entre a AOS e o controle de peso. Estima-se que 77% das pessoas com AOS também sejam obesas.23

A falta constante de oxigênio causada pela AOS pode afetar órgãos vitais, incluindo o cérebro, o coração e os rins. A Apneia Obstrutiva do Sono também tem sido associada a problemas de memória e de saúde mental, como ansiedade e depressão,24 aumentando indiretamente o risco de complicações.

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Impacto na expectativa de vida

Sem tratamento, a apneia obstrutiva do sono (AOS) tem sido associada a uma menor expectativa de vida. Em um estudo, cerca de 1 em cada 3 indivíduos com AOS moderada a grave morreu ao longo de um período de 14 anos. Em comparação, apenas cerca de 1 em cada 15 pessoas sem AOS morreu.25

Quanto mais grave a AOS, maior é o impacto que esse distúrbio pode ter na expectativa de vida de uma pessoa. Na verdade, a AOS moderada a grave está associada a uma taxa de mortalidade geral seis vezes maior.26

Felizmente, a expectativa de vida pode melhorar com o tratamento adequado. Pessoas com AOS que utilizam pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), um tratamento que utiliza pressão de ar suave e constante através de uma máscara para manter as vias aéreas abertas durante o sono, por 5 ou mais anos, apresentam redução da mortalidade.7 Esses indivíduos também têm um risco menor de desenvolver condições, como doenças cardíacas e diabetes tipo 2.27

Fatores de risco que aumentam o perigo de mortalidade

O tratamento adequado da apneia obstrutiva do sono está associado a benefícios importantes para a saúde a longo prazo. Estudos mostram que pessoas com AOS que utilizam terapia com pressão positiva nas vias aéreas (CPAP) por períodos prolongados apresentam menor risco de mortalidade e menor incidência de condições como doenças cardíacas e diabetes tipo.27

A idade também pode influenciar a saúde geral. Em um estudo, pesquisadores observaram que adultos mais velhos com AOS e sonolência diurna apresentaram mais do que o dobro da probabilidade de morte em comparação com indivíduos mais jovens sem AOS.29

Tratamento e melhores desfechos de saúde

A boa notícia é que, com diagnóstico e tratamento adequados, pessoas com AOS podem viver vidas longas e saudáveis. Uma das abordagens é a terapia de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), que é o método mais utilizado e eficaz para o tratamento da apneia do sono.30

O CPAP é um tratamento que utiliza pressão positiva para manter as vias aéreas abertas durante o sono. Essa pressão é aplicada por meio de uma máscara ajustada ao rosto, o que ajuda a prevenir o estreitamento ou o colapso das vias respiratórias, permitindo uma respiração mais regular ao longo da noite e reduzindo os episódios de apneia.

Quando utilizada conforme as orientações, algumas pessoas com apneia do sono podem sentir alívio dos sintomas já na primeira noite de uso da CPAP. Além disso, pessoas que utilizam o CPAP de forma consistente podem apresentar uma menor taxa de eventos cardiovasculares e uma melhor qualidade de vida.31 32

Pesquisas também mostram que a terapia com CPAP pode ajudar pessoas com AOS a viver mais tempo. Em um estudo, o uso da CPAP foi associado a um risco 37% menor de mortalidade geral e a um risco 55% menor de morte relacionada ao coração.7

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Referências

  1. Source: What is sleep apnea? National Heart, Lung, and Blood Institute
  2. Source: Understanding the results Harvard Medical School
  3. Source: Sleep Foundation oxygen levels during sleep
  4. Source: Obstructive sleep apnea and comorbidities Multidiscip Respir Med
  5. Source: Canadian Medical Association Journal Laratta et al
  6. Source: BMC Medicine Gottlieb et al
  7. Source: The Lancet Respiratory Medicine Benjafield et al
  8. Source: Effect of obstructive sleep apnea on the risk of injuries
  9. Source: Can you die from obstructive sleep apnoea syndrome
  10. Source: National trends in mortality associated with obstructive sleep apnea
  11. Source: Association of obstructive sleep apnea with cardiovascular events
  12. Source: Effects of obstructive sleep apnea on the cardiovascular system
  13. Source: Organ systems-based review of outcomes associated with sleep apnea
  14. Source: Obstructive sleep apnea and cardiovascular disease
  15. Source: N Engl J Med Peppard et al
  16. Source: Sleep-disordered breathing and cardiac arrhythmias
  17. Source: American Heart Association sleep apnea blood vessels
  18. Source: J Clin Sleep Med Johnson KG
  19. Source: Sleep apnea in patients with transient ischemic attack and stroke
  20. Source: Cardiovascular risk in patients with sleep apnoea
  21. Source: Prevalence of obstructive sleep apnea in stroke
  22. Source: Prevalence of Sleep Apnea in Type 2 Diabetes
  23. Source: Polysomnography Before Bariatric Surgery
  24. Source: Sleep apnea and affective disorders
  25. Source: Sleep apnea as independent risk factor for mortality
  26. Source: Mortality and morbidity in sleep apnoea
  27. Source: Healthy lifestyle and reduced mortality in sleep apnea
  28. Source: Sleep apnea and obesity
  29. Source: Risk of death in older adults with sleep apnea
  30. Source: Understanding PAP Harvard Medical School
  31. Source: Sleep Foundation CPAP changes
  32. Source: Sleep Med Djonlagic et al

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