Tipos de apneia do sono: apneia obstrutiva e apneia central
Principais pontos:
- Existem dois tipos principais de apneia do sono: apneia obstrutiva e apneia central. Cada um desses tipos de apneia possui causas e tratamentos diferentes.
- A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a mais comum e acontece quando os músculos relaxados da garganta bloqueiam as vias aéreas durante o sono.
- A apneia central do sono (ACS) acontece quando o cérebro não envia os sinais adequados para controlar a respiração.
- Entender qual é o seu tipo específico de apneia do sono pode ajudar você e seu profissional da saúde a escolher o melhor tratamento para melhorar seu sono e sua saúde como um todo.
Se você recebeu o diagnóstico de apneia do sono ou acha que pode ter essa condição, pode ser útil entender os diferentes tipos. Cada tipo tem suas próprias causas, sintomas e formas de diagnóstico. Compreender cada tipo pode lhe dar uma ideia melhor de quais opções de tratamento podem estar disponíveis. Lembre-se de que apenas um profissional da saúde pode diagnosticar apneia do sono, e é importante que você consulte seu profissional da saúde para determinar o melhor plano de tratamento para você.
O que é apneia do sono?
A apneia do sono é uma condição em que a respiração para e recomeça muitas vezes ao longo da noite. Essas interrupções podem dificultar que seu corpo receba oxigênio suficiente. Isso pode causar sintomas como:1
- Sonolência excessiva durante o dia
- Dores de cabeça pela manhã
- Sensação de irritação ou alterações de humor
- Dificuldade de concentração, problemas para se manter atento durante o dia
- Ronco ou falta de ar durante o sono
Existem dois tipos principais de apneia do sono:
- Apneia obstrutiva do sono (AOS)
- Apneia central do sono (ACS)
Como a apneia do sono interrompe seu sono, você pode se sentir cansado ou com sono durante o dia, mesmo dormindo mais de sete horas. Isso pode afetar seu foco, seus níveis de energia e sua qualidade de vida. Com o tempo, se não for tratada, a apneia do sono também pode aumentar o risco de desenvolver outros problemas de saúde, como hipertensão, doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e problemas oculares.2 Também pode aumentar a probabilidade de erros no trabalho ou de acidentes de trânsito.3
O quão comum é a apneia obstrutiva do sono (AOS)?
A apneia obstrutiva do sono (AOS) afeta quase 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.4 A apneia obstrutiva do sono é o tipo mais comum (somente nos Estados Unidos, mais de 83 milhões de adultos vivem com AOS).5
Nem todos os tipos de apneia do sono são iguais. Quando essa condição é diagnosticada, seu profissional da saúde avaliará a gravidade por meio de dois principais métodos.
- Polissonografia: exame padrão-ouro que monitora, durante o sono, sua respiração, oxigenação, frequência cardíaca, atividade cerebral e muscular, permitindo identificar alterações como pausas respiratórias e fragmentação do sono.6
- Índice de apneia-hipopneia (IAH): esse índice determina quantas vezes a sua respiração é interrompida a cada hora de sono.
Muitas pessoas não percebem que têm apneia do sono. Na verdade, mais de 80% das pessoas com apneia obstrutiva do sono não recebem diagnóstico.8 Se você acha que pode fazer parte desse grupo, é uma boa ideia conversar com seu profissional da saúde sobre o seu sono. O diagnóstico e o tratamento precoces podem ajudar a prevenir problemas de saúde graves e melhorar a qualidade de vida.

Apneia obstrutiva do sono (AOS)
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é uma condição na qual a respiração desacelera ou para repetidamente durante o sono. Isso geralmente acontece quando os músculos da parte de trás da garganta relaxam, fazendo com que as vias aéreas se estreitem ou colapsem por breves períodos. Essas pausas na respiração podem durar vários segundos e podem acontecer muitas vezes por hora. As pausas respiratórias podem privar os órgãos de oxigênio. Quando os níveis de oxigênio caem, o corpo sofre episódios repetidos de estresse durante a noite, afetando o funcionamento do coração, do cérebro e de outros órgãos. Ao mesmo tempo, essas pausas fragmentam o sono, impedindo que ele seja profundo e restaurador. Como resultado, é comum sentir cansaço, sonolência e dificuldade de concentração ao longo do dia.1
Os sintomas da AOS também podem ser influenciados pela sua posição ao dormir. Por exemplo, você pode ter mais pausas respiratórias quando dorme de costas.33
Embora a AOS seja mais comum em homens, qualquer pessoa pode ter. Na verdade, 202 milhões de mulheres em todo o mundo vivem com essa condição.10 As taxas de AOS são particularmente altas entre mulheres após a menopausa.11
Como a estrutura do corpo pode afetar a AOS
Certas características físicas podem facilitar o estreitamento ou bloqueio das vias aéreas durante o sono. Se a sua constituição física afeta suas vias aéreas, você pode ter um risco maior de apneia obstrutiva do sono. Alguns exemplos incluem:
- Língua larga12
- Alterações no rosto, mandíbula ou no crânio31
- Excesso de tecido mole no palato mole12
- Desvio de septo e outras obstruções nasais13
- Queixo retraído (retrognatia)14
Diagnóstico da AOS
Se o seu profissional da saúde suspeitar que você tem AOS, ele poderá encaminhá-lo a um especialista em sono. Esse especialista analisará seus sintomas e seu histórico clínico e, se necessário, marcará um exame do sono.6 O exame do sono monitora, durante a noite, diferentes funções do organismo relacionadas ao sono, como a respiração, os níveis de oxigênio, a frequência cardíaca e os padrões de sono. Essas informações permitem identificar alterações respiratórias e avaliar a qualidade do sono com precisão.6
Existem dois tipos de exames do sono que seu profissional da saúde pode prescrever:
- Exame domiciliar do sono (HSAT): é realizado em casa e avalia principalmente a respiração e os níveis de oxigênio durante o sono. É indicado, em geral, para pacientes com alta suspeita de apneia obstrutiva do sono e sem outras condições clínicas complexas.32
- Polissonografia em laboratório (PSG): exame mais completo, realizado em laboratório, que avalia de forma abrangente a respiração, os estágios do sono e outras respostas do organismo durante a noite. É indicado quando há maior complexidade clínica, necessidade de uma avaliação mais detalhada ou suspeita de outros distúrbios do sono além da apneia obstrutiva do sono.7
Um especialista em sono pode determinar se você tem AOS com base nos resultados do seu estudo do sono. O que é IAH?
Seu profissional da saúde vai classificar sua apneia obstrutiva do sono (AOS) como leve, moderada ou grave com base no seu Índice de Apneia-Hipopneia (IAH). O IAH mede o número de pausas em sua respiração, por hora, enquanto você dorme.
A pontuação de IAH inclui apneias, que acontecem quando sua respiração para por pelo menos 10 segundos. Ela também contabiliza hipopneias, ou episódios de respiração superficial devido a uma obstrução parcial das vias aéreas.
Seu IAH determina a gravidade da sua AOS:7
- IAH 5-14: AOS leve
- IAH 15-29: AOS moderada
- IAH 30+: AOS grave
Tratamentos para AOS
Depois de receber o diagnóstico de AOS, seu profissional da saúde vai recomendar um plano de tratamento com base nos seus sintomas e nos resultados do estudo do sono. Os tratamentos mais comuns incluem:
- Pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). Um dispositivo CPAP mantém suas vias aéreas abertas ao enviar um fluxo contínuo de ar pressurizado para o nariz ou nariz e boca. O CPAP é altamente eficaz e é o método mais utilizado e mais bem compreendido para tratar a apneia do sono. É um tratamento para apneia do sono sem medicamentos e sem efeitos colaterais relacionados à medicação16 e pode ajudar a reduzir os sintomas já após a primeira noite.17,18
- Aparelhos intraorais: esses dispositivos empurram a mandíbula para frente, criando espaço atrás da língua e evitando o colapso das vias aéreas. Eles podem ser uma alternativa ao CPAP se você tiver AOS leve ou moderada e retrognatia de queixo.34
- Terapia posicional: se você só tem AOS quando dorme de costas, dispositivos de terapia posicional, como travesseiros e alarmes vibratórios, podem ajudá-lo a dormir de lado.20
Em alguns casos específicos, quando outras opções de tratamento não são suficientes ou não são bem toleradas, poderão ser consideradas estratégias cirúrgicas. Essas abordagens são indicadas de forma individualizada e devem sempre ser avaliadas por um médico especialista em medicina do sono, que irá definir a melhor opção de acordo com as características de cada paciente:
- Estimulação do nervo hipoglosso (HNS), no qual um implante cirúrgico move a língua para frente cada vez que você respira para manter as vias aéreas abertas.21
- Uvulopalatofaringoplastia (UPPP), que é um procedimento em que um cirurgião remove tecido mole da garganta, incluindo parte ou a totalidade das amígdalas, do palato mole e a úvula, para ajudar a abrir as vias aéreas e reduzir a obstrução.22
- Avanço maxilomandibular, no qual as mandíbulas são reposicionadas para ajudar a abrir as vias aéreas.23
Apneia central do sono (ACS)
A apneia central do sono (ACS) é um tipo de apneia do sono que representa cerca de 5% a 10% entre pessoas avaliadas em clínicas do sono.35 A ACS ocorre quando o cérebro deixa de enviar sinais aos músculos para que você respire regularmente enquanto você dorme. Diferentemente da apneia obstrutiva do sono, seus músculos respiratórios não continuam trabalhando durante essas pausas.1
A ACS pode ser causada por ou estar associada a condições médicas subjacentes, incluindo AVC, insuficiência renal e fibrilação atrial.25 É comum em adultos mais velhos e pessoas com insuficiência cardíaca, mas está menos associado a fatores de risco relacionados à apneia obstrutiva do sono (AOS), como a obesidade.27
Diferentes formas de apneia central do sono (ACS)
Existem vários tipos diferentes de ACS:
- ACS primária: forma rara em que não se identifica uma causa clara mesmo após avaliação médica.36
- Respiração de Cheyne-Stokes: padrão respiratório caracterizado por ciclos de aumento e diminuição progressiva da respiração, seguidos por pausas. É frequentemente observado em pacientes com insuficiência cardíaca.36
- ACS induzida por medicamentos: medicamentos como opioides ou sedativos podem afetar o controle da respiração.38
- ACS induzida por altitude: pessoas que visitam ou vivem em altitudes acima de 2.000 metros podem apresentar ACS devido aos baixos níveis de oxigênio e à instabilidade do controle da respiração.15
- ACS emergente ao tratamento (TECSA): pode surgir após o início do tratamento da apneia obstrutiva do sono. Nesses casos, mesmo com a via aérea aberta, o controle da respiração pode se tornar instável, levando a pausas respiratórias centrais. Em muitos pacientes, esse padrão melhora ao longo do tempo, mas pode exigir acompanhamento e ajuste do tratamento.
- ACS associada a outros problemas de saúde: às vezes, a ACS acontece em conjunto com outras condições médicas, como doenças cardíacas ou AVC.25

Diagnóstico da ACS
Antes de diagnosticar apneia central do sono (ACS), seu profissional da saúde provavelmente solicitará um exame do sono. Ele poderá procurar sinais que diferenciem a ACS de outras condições respiratórias relacionadas ao sono, incluindo:38
- Músculos respiratórios que não funcionam quando você para de respirar
- Pausas na respiração apesar de as vias aéreas estarem desobstruídas
- Padrões respiratórios instáveis ou característicos30
Tratamentos para ACS
O tratamento da apneia central do sono é direcionado à sua causa e ao perfil clínico de cada paciente. A servo-ventilação adaptativa (ASV) é uma modalidade terapêutica que ajusta dinamicamente o suporte ventilatório ao longo da noite, com o objetivo de estabilizar a respiração. Ela é utilizada principalmente em pacientes com apneia central do sono relacionada à instabilidade do controle ventilatório, como na respiração de Cheyne-Stokes e em formas persistentes de apneia central após início de tratamento da apneia obstrutiva do sono. A terapia com ASV não é indicada para todos, por isso é importante uma avaliação individualizada com um profissional de saúde especialista em sono para definir a melhor opção para cada caso.
Outras estratégias terapêuticas incluem ventilação não invasiva com dois níveis de pressão (binível), o tratamento das condições clínicas associadas e, quando necessário, o ajuste de medicações relacionadas a essas condições, como em casos de insuficiência cardíaca congestiva descompensada ou uso de substâncias que possam interferir na respiração. Em situações específicas, como na apneia central relacionada à altitude, o uso de oxigênio durante a noite pode ser considerado. A abordagem deve ser sempre individualizada, com base na causa subjacente e nas características clínicas de cada paciente.36
Entendendo o risco de apneia do sono
Determinadas condições ou fatores de estilo de vida podem influenciar o tipo de apneia do sono que você tem. Entender seus fatores de risco pessoais pode ajudá-lo a encontrar tratamento e suporte adequados.
Tipos de apneia do sono em populações especiais
Algumas pessoas podem apresentar um risco maior de desenvolver tipos específicos de apneia do sono, incluindo:
- Apneia do sono associada à gravidez. Esse tipo tende a ser predominantemente apneia obstrutiva do sono (AOS), e o risco pode aumentar com a idade mais avançada ou com o índice de massa corporal (IMC) mais alto.28
- Apneia do sono relacionada a doenças neuromusculares. Nessas condições, a fraqueza dos músculos respiratórios pode dificultar a respiração durante o sono, levando principalmente à hipoventilação e, em alguns casos, a eventos respiratórios obstrutivos ou mistos.26
- Apneia do sono pós-AVC. Após um AVC, você pode apresentar sintomas tanto de apneia obstrutiva quanto de apneia central do sono, mas a AOS é mais comum.39
- Apneia do sono associada à insuficiência cardíaca. Cerca de 40% das pessoas com insuficiência cardíaca congestiva têm apneia central do sono (ACS).24
- Apneia do sono induzida por opioides. O uso de opioides está predominantemente associado à ACS, mas também pode aumentar o risco de AOS.19
- Apneia do sono induzida por altitude. Altitudes acima de 2.000 metros podem causar ACS.15
Como os profissionais da saúde diferenciam os distintos tipos
Os profissionais da saúde conseguem diferenciar os diferentes tipos de apneia do sono utilizando alguns critérios comuns, como:
- Padrões respiratórios. Os estudos do sono, muitas vezes, revelam padrões respiratórios característicos, especialmente em pessoas com ACS.25
- Esforço respiratório. Pessoas com AOS geralmente continuam fazendo esforço para respirar quando param de respirar, ao contrário de pessoas com ACS.
- Resposta aos tratamentos iniciais. Em alguns casos, após o início do tratamento para apneia obstrutiva do sono (AOS), podem surgir alterações no padrão da respiração durante o sono (TECSA), associadas a sono não reparador, despertares frequentes e cansaço ao longo do dia.29
- Sintomas e características clínicas. Os diferentes tipos de apneia do sono podem apresentar sintomas e sinais distintos. A apneia obstrutiva do sono (AOS), por exemplo, está frequentemente associada ao ronco, enquanto a apneia central do sono (ACS) pode se manifestar com padrões respiratórios irregulares e sono não reparador.9
- Exames complementares. Em alguns casos, exames mais detalhados podem ser utilizados para ajudar na diferenciação entre os tipos de apneia do sono, conforme a necessidade e a complexidade de cada situação.40
- Sobreposição de padrões respiratórios. Em algumas situações, podem ocorrer diferentes tipos de eventos respiratórios ao longo do sono, incluindo combinações de características obstrutivas e centrais, o que requer uma avaliação cuidadosa por um especialista.29
Se você recebeu o diagnóstico de apneia do sono, saiba que não está sozinho — milhões de pessoas convivem com essa condição todos os dias. Entender o tipo de apneia do sono que você tem pode ajudá-lo a compreender melhor suas opções de tratamento e a se sentir mais confiante em relação às recomendações do seu profissional da saúde.
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