O que é apneia do sono? Tipos, sintomas e tratamento
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é o tipo mais comum de distúrbio respiratório relacionado ao sono e ocorre quando os músculos da garganta relaxam e as vias respiratórias se estreitam, restringindo o fluxo de ar para os pulmões. O cérebro responde enviando um sinal para acordar e retomar a respiração. Esse ciclo pode se repetir várias vezes durante a noite, impedindo um sono reparador e podendo levar a outras condições de saúde mais sérias.
Apneia obstrutiva do sono (AOS) vs. apneia central do sono (ACS)
Em todo o mundo, a apneia do sono afeta mais de 1 bilhão de pessoas de diferentes idades, gêneros, formatos e tamanhos corporais.1 A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a forma mais comum desse distúrbio. Já a apneia central do sono (ACS) é um tipo menos comum, que ocorre quando o cérebro não envia sinais adequados aos músculos responsáveis pela respiração durante o sono.
A ACS é um distúrbio neurofisiológico que afeta as partes do corpo responsáveis pelos movimentos, pelo pensamento e pelas sensações.2 Já a AOS é uma condição fisiológica, o que significa que afeta o funcionamento do corpo, como os batimentos cardíacos e o funcionamento dos pulmões. Ainda que um especialista em sono possa confirmar qual tipo de apneia do sono você possui, o tratamento prescrito irá variar dependendo do seu diagnóstico.
Sintomas da apneia obstrutiva do sono3
Está se arrastando ao longo do dia? A sonolência diurna excessiva pode ser apenas um dos sintomas da apneia obstrutiva do sono. Veja a seguir outros sintomas a serem observados:
Ronco alto, sufocamento ou falta de ar durante o sono
O ronco é um dos sintomas mais comuns da apneia do sono. Ele ocorre quando os músculos do pescoço relaxam e a garganta se fecha parcialmente e se estreita, causando um som de vibração.
Sonolência diurna
A falta de sono reparador pode tornar o dia mais difícil. Se você perceber que tem cochilado com frequência ou sente um cansaço fora do normal, mesmo achando que dormiu bem, isso pode ser um sintoma de AOS.
Depressão
35% das pessoas com AOS apresentam sintomas de depressão.4 Depressão e ansiedade podem indicar a presença de um problema de sono.
Dores de cabeça matinais
Se você acorda regularmente com dores de cabeça matinais, isso pode ser um sinal de que não está recebendo oxigênio suficiente durante a noite. Durante as apneias, quando você para de respirar temporariamente, os níveis de oxigênio no sangue podem cair, o que pode causar dores de cabeça pela manhã.
Pressão alta
Assim como as dores de cabeça, as apneias também podem causar pressão alta. Quando você para de respirar durante as apneias, seu corpo libera substâncias químicas para acordá-lo. Isso pode causar um aumento repentino da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Boca seca
Você costuma acordar com a boca seca? Isso pode significar que você estava roncando ou respirando pela boca enquanto dormia, o que pode indicar que suas vias respiratórias estavam obstruídas.
Dificuldade de concentração e memória
A privação de sono causada pelas apneias reduz a qualidade do sono, o que pode dificultar a concentração ou a lembrança de informações ao longo do dia. Nosso cérebro e nosso corpo precisam de um sono de qualidade para terem um melhor desempenho.
Acordar cansado
Já se perguntou por que se sente exausto pela manhã, mesmo tendo certeza de que dormiu o suficiente? Uma das causas pode ser a apneia do sono, que interfere no seu ritmo circadiano. Isso impede que você tenha o sono de qualidade necessário para se sentir descansado.
Insônia
A insônia pode ser um sintoma inesperado da AOS.4 Quando você acorda repetidamente devido às apneias, pode ser difícil conseguir um sono de qualidade. Isso pode levar a um ciclo frustrante de não conseguir dormir porque você está preocupado em não conseguir dormir ou há receio de ser acordado repentinamente pelas apneias. Dificuldade para dormir é um sintoma comum da apneia obstrutiva do sono, e 35% das pessoas com insônia também têm AOS.5
Disfunção sexual
Os homens com AOS podem ter problemas sexuais devido à queda repetida dos níveis de oxigênio durante a noite, o que pode causar uma diminuição dos níveis de testosterona.6
Sintomas da apneia obstrutiva do sono grave
A apneia obstrutiva do sono é considerada grave quando o IAH é superior a 30.6 Quando não tratada por longos períodos, a AOS pode intensificar sintomas como depressão e exaustão, além de contribuir para condições mais sérias e potencialmente fatais.
Quando não tratada, a AOS pode levar a um risco aumentado de acidente vascular cerebral e doenças cardíacas, juntamente com resistência à insulina que pode levar ao diabetes tipo 2.
Em alguns casos, o impacto da apneia obstrutiva do sono na sua capacidade de se concentrar e permanecer alerta pode até aumentar o risco de se envolver em um acidente de carro. Portanto, a AOS grave e não tratada pode diminuir significativamente a sua qualidade de vida e prejudicar a sua saúde a longo prazo.1
Causas da apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva do sono (AOS) pode se desenvolver por diversos motivos. Alguns hábitos de vida aumentam significativamente o risco, como fumar, ter excesso de peso ou obesidade, consumir álcool com frequência ou usar sedativos e narcóticos. Além disso, fatores físicos e anatômicos também podem contribuir, incluindo amígdalas ou adenóides aumentadas, retrusão mandibular e desvio de septo.
Fatores de risco da apneia obstrutiva do sono
Ninguém está totalmente imune à apneia do sono. Por isso, é essencial ficar atento aos sinais e sintomas. Os principais fatores de risco incluem:
Excesso de peso e obesidade
O acúmulo de gordura nas vias aéreas superiores pode estreitar a passagem de ar durante o sono, aumentando as chances de apneia. A perda de peso saudável é frequentemente recomendada como parte do tratamento para AOS.8,9
Idade
Com o envelhecimento, o controle neuromuscular da garganta pode diminuir, favorecendo o colapso parcial das vias aéreas. A apneia do sono é mais prevalente em pessoas acima de 65 anos.10
Gênero
Homens apresentam maior risco de desenvolver AOS, possivelmente devido a fatores hormonais, diferenças anatômicas e maior incidência de obesidade.11
Tabagismo
Fumar provoca inflamação nas vias respiratórias superiores, o que pode levar ao estreitamento e fechamento parcial das vias aéreas durante o sono.12
Consumo de álcool e uso de sedativos
Essas substâncias relaxam excessivamente os músculos da garganta e reduzem o ritmo respiratório, aumentando a probabilidade de obstrução das vias aéreas.12
Alergias ou congestão nasal
Dificuldades respiratórias causadas por alergias ou congestão podem agravar os sintomas da apneia, especialmente sem tratamento adequado.12
Fatores anatômicos
Algumas pessoas podem simplesmente ter predisposição para desenvolver AOS devido à sua anatomia.
Efeitos a longo prazo da apneia obstrutiva do sono não tratada
A AOS não tratada representa riscos significativos à saúde a longo prazo para pessoas de todas as idades e gêneros. Esses riscos incluem:1
- Aumento da pressão arterial
- Redução do oxigênio no sangue
- Picos nos níveis de insulina
- Elevação da glicose no sangue
- Insuficiência cardíaca
- AVC
Sem diagnóstico e tratamento adequados, a AOS afeta mais do que apenas o sono, ela pode ter um impacto profundo na sua saúde e se tornar uma condição potencialmente fatal.
Se você suspeita que tem AOS, é importante cuidar da sua saúde e buscar um diagnóstico profissional. Um profissional de saúde especializado em sono poderá indicar o caminho certo para o tratamento, ajudando você a voltar a aproveitar a vida.
Se não for tratada, a AOS pode ter um impacto negativo em suas atividades diárias, contribuindo para fadiga crônica, problemas de memória e um risco aumentado de acidentes automobilísticos. O que pode parecer um problema menor no início pode rapidamente se tornar um grande risco para sua saúde e segurança.
Como a apneia obstrutiva do sono é diagnosticada?
As duas formas mais comuns de diagnosticar a AOS são: a polissonografia em laboratório ou o teste do sono em casa.
A polissonografia em laboratório (PSG) é geralmente realizada durante a noite em um centro especializado em sono. Um técnico treinado monitora o sono utilizando diferentes instrumentos e sensores para avaliar a respiração, a frequência cardíaca e outros sinais vitais enquanto você dorme. O profissional de saúde normalmente solicita uma PSG se o seu histórico de saúde for mais complexo.
O exame do sono domiciliar (HST) costuma ser recomendado pelo profissional de saúde quando há sintomas de distúrbio do sono, mas nenhuma outra condição médica crônica diagnosticada. O paciente recebe um kit com equipamentos específicos para usar no conforto da própria cama. Esse conjunto pode incluir um monitor de dados do sono, uma cânula nasal para avaliar a respiração durante o sono e um oxímetro preso ao dedo para medir os níveis de oxigênio no sangue. Uma das vantagens do HST é reduzir o tempo de espera para agendar uma PSG.
No processo até a confirmação do diagnóstico de apneia do sono, você poderá ser acompanhado por diferentes profissionais de saúde que ajudarão a identificar as causas dos seus padrões de sono. O clínico geral analisará seu histórico profissional de saúde atual e anterior antes de encaminhá-lo a um especialista do sono, que realizará os exames necessários.
Se o diagnóstico de apneia do sono for confirmado, o especialista ajudará a elaborar um plano de tratamento para melhorar sua respiração, seu sono e sua qualidade de vida. O diagnóstico precoce pode ajudar a controlar melhor os sintomas da apneia e garantir um sono mais reparador.
Opções de tratamento para apneia obstrutiva do sono
Embora a apneia do sono seja uma condição clínica séria, a boa notícia é que ela pode ser tratada. O profissional de saúde discutirá as opções de tratamento adequadas com base no tipo e na gravidade da condição.8
Terapia com CPAP
A terapia com pressão positiva contínua nas vias respiratórias (CPAP, do inglês Continuous Positive Airway Pressure) é considerada altamente eficaz e uma das formas mais utilizadas para tratar a apneia obstrutiva do sono. A forma mais comum de terapia de pressão positiva (PAP) é o próprio CPAP.
O dispositivo CPAP fornece um nível constante e contínuo de ar pressurizado por meio de um tubo e uma máscara, ajudando a manter as vias respiratórias abertas durante o sono. Esse fluxo contínuo de ar evita as interrupções na respiração que a apneia do sono pode causar.
Dispositivos alternativos de pressão nas vias respiratórias
Nem todas as pessoas conseguem se adaptar ao nível constante e contínuo de pressão fornecido pela terapia com CPAP. Por isso, podem ser discutidas opções de tratamento alternativas.
Uma delas é a terapia com pressão positiva automática nas vias respiratórias (APAP), que ajusta o nível de ar fornecido de acordo com as necessidades da pessoa, aplicando apenas a pressão necessária em cada momento.
Outra opção é um dispositivo PAP de dois níveis binível, que é um tipo de PAP que fornece dois níveis de pressão diferentes: um para inspirar e outro para expirar.
Algumas pessoas que precisam de tipos alternativos de terapia PAP podem ter apneia central do sono (ACS), uma forma de apneia em que o cérebro não envia sinais adequados ao corpo para respirar.
Mudanças no estilo de vida
O profissional de saúde pode recomendar mudanças no estilo de vida para ajudar a controlar os sintomas da apneia obstrutiva do sono. Isso pode incluir perda de peso, redução do consumo de álcool ou abandono do tabagismo.
Terapia com aparelho intraoral
Embora a terapia com CPAP continue sendo o padrão-ouro para tratar a apneia do sono leve à moderada, o profissional de saúde pode sugerir a terapia com aparelho intraoral como alternativa. O aparelho intraoral, também conhecido como dispositivo de avanço mandibular (DAM), mantém a mandíbula inferior levemente projetada para a frente, ajudando a manter as vias respiratórias abertas e a reduzir o ronco.
Ajuste de medicação
O profissional de saúde pode avaliar os medicamentos em uso para verificar se algum deles está contribuindo para os sintomas da apneia do sono. Certos medicamentos podem agravar os sintomas da AOS por relaxarem e estreitarem as vias respiratórias. Entre esses medicamentos estão: os anti-histamínicos, os opiáceos e os benzodiazepínicos (usados no tratamento da ansiedade).
Descongestionantes
Alergias e congestão nasal crônica podem causar inchaço dos vasos sanguíneos no nariz e estreitamento das vias respiratórias. O profissional de saúde pode prescrever descongestionantes para ajudar a aliviar os sintomas.
Cirurgia
Embora existam cirurgias disponíveis para ajudar com os sintomas da apneia obstrutiva do sono, os tratamentos menos invasivos são geralmente priorizados.
O procedimento cirúrgico mais comum é a uvulopalatofaringoplastia (UPPP). Nessa cirurgia, os profissionais de saúde removem o excesso de tecido da garganta para ampliar as vias respiratórias superiores.
Outras opções cirúrgicas menos comuns incluem a remoção das amígdalas ou adenóides, cirurgias nasais para corrigir o desvio de septo, cirurgias na mandíbula para alterar sua posição ou a somnoplastia, que utiliza radiofrequência para reduzir o volume do tecido nas vias respiratórias superiores.
A terapia de estimulação do nervo hipoglosso (HGNS) é indicada para pessoas com apneia do sono de moderada à grave que não se adaptaram ao tratamento com CPAP.
Dicas para conviver com a apneia obstrutiva do sono (AOS)
Em primeiro lugar, a melhor forma de controlar a AOS é seguir as recomendações de tratamento indicadas pelo profissional de saúde. Cada plano de tratamento é personalizado e pode incluir mudanças no estilo de vida, o uso de um dispositivo de CPAP à noite ou outras medidas terapêuticas.
Dentre as mudanças de estilo de vida que o profissional de saúde pode recomendar para aliviar os sintomas da AOS estão: perda de peso, prática regular de exercícios, evitar o consumo de álcool e tabaco e dormir de lado ou de bruços em vez de dormir de costas.
Se você tem AOS, o primeiro passo para dormir melhor é obter o diagnóstico correto. Você vai agradecer por ter dado esse passo ao perceber a diferença na sua qualidade de vida!
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Fontes
1Source: Gurubhagavatula I, et al. “Obstructive Sleep Apnea Indicator Report.” American Academy of Sleep Medicine. 2023, Link
2Source: Javaheri, S., and J. A. Dempsey. “Central Sleep Apnea.” Comprehensive Physiology, vol. 3, no. 1, Jan. 2013, pp. 141–63. DOI
3Source: Johnson, Karin G. “Obstructive Sleep Apnea.” Continuum (Minneapolis, Minn.), vol. 29, no. 4, Aug. 2023, pp. 1071–91. DOI
4Source: Garbarino, Sergio, et al. “Association of Anxiety and Depression in Obstructive Sleep Apnea Patients: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Behavioral Sleep Medicine, vol. 18, no. 1, 2020, pp. 35–57. DOI
5Source: Zhang, Ye, et al. “Worldwide and Regional Prevalence Rates of Co-Occurrence of Insomnia and Insomnia Symptoms with Obstructive Sleep Apnea: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Sleep Medicine Reviews, vol. 45, Jun. 2019, pp. 1–17. DOI
6Source: Kim, Sung-Dong, and Kyu-Sup Cho. “Obstructive Sleep Apnea and Testosterone Deficiency.” The World Journal of Men’s Health, vol. 37, no. 1, Jan. 2019, pp. 12–18. DOI
7Source: Malhotra, Atul, et al. “Endotypes and Phenotypes in Obstructive Sleep Apnea.” Current Opinion in Pulmonary Medicine, vol. 26, no. 6, Nov. 2020, pp. 609–14. DOI
8Source: Epstein, Lawrence J., et al. “Clinical Guideline for the Evaluation, Management and Long-Term Care of Obstructive Sleep Apnea in Adults.” Journal of Clinical Sleep Medicine, vol. 5, no. 3, Jun. 2009, pp. 263–76.
9Source: Hudgel, David W., et al. “The Role of Weight Management in the Treatment of Adult Obstructive Sleep Apnea. An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline.” American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, vol. 198, no. 6, Sep. 2018, pp. e70–87. DOI
10Source: Bixler, E. O., et al. “Effects of Age on Sleep Apnea in Men: I. Prevalence and Severity.” American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, vol. 157, no. 1, Jan. 1998, pp. 144–48. DOI
11Source: Lin, Christine M., et al. “Gender Differences in Obstructive Sleep Apnea and Treatment Implications.” Sleep Medicine Reviews, vol. 12, no. 6, Dec. 2008, pp. 481–96. DOI
12Source: Kline LR. “Clinical presentation and diagnosis of obstructive sleep apnea in adults.” In: Collop N, Finlay G, editors. UpToDate. Waltham, MA: Wolters Kluwer N.V.; 2023.
13Source: Mayo Clinic Staff. “Sleep Apnea.”, 2023, Link
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