O álcool pode piorar a apneia do sono porque atua como relaxante muscular, tornando as pausas na respiração mais frequentes e prolongadas.¹
Consumir álcool antes de dormir pode reduzir a resposta do cérebro à queda de oxigênio.² Isso significa que, quando a respiração é interrompida durante o sono, pode levar mais tempo para que o cérebro sinalize ao corpo que é preciso despertar.³
Beber perto da hora de dormir prejudica a noite de sono. Pode haver um efeito rebote, com despertares frequentes, sonhos vívidos e sono fragmentado.⁴
O álcool pode causar boca seca, congestão nasal, irritação na garganta e maior probabilidade de vazamentos na máscara.⁵ Por isso, evitar a bebida pode ajudar a manter uma respiração mais estável durante a terapia com CPAP à noite.⁵
Embora o álcool possa facilitar o adormecimento no início,⁶ seus efeitos ao longo da noite podem prejudicar a qualidade do sono.⁷,⁸ Além disso, o relaxamento das vias aéreas pode agravar problemas respiratórios durante o sono.² A seguir, entenda a relação entre álcool, apneia do sono e terapia com CPAP.
A seguir, entenda o que acontece no organismo de quem tem apneia do sono e como tratamentos como a terapia com CPAP podem ajudar.
A apneia do sono é uma condição em que a respiração para e recomeça diversas vezes durante o sono.⁹ Essas interrupções podem reduzir a quantidade de oxigênio disponível para o organismo.
Normalmente, os níveis de oxigênio no sangue durante o sono variam de 96% a 100%. Em pessoas com apneia do sono, esses níveis podem cair de forma significativa — às vezes abaixo de 88%.¹⁰ O coração, os pulmões e o cérebro precisam de oxigênio para funcionar corretamente e, sem ele, as células começam a sofrer. A redução dos níveis de oxigênio é um dos fatores associados aos riscos à saúde relacionados à apneia do sono, como:¹¹
Doenças cardíacas
Diabetes
Obesidade
Depressão
AVC
Pressão alta
Doença renal
A apneia obstrutiva do sono (AOS) é um tipo de apneia em que as vias aéreas superiores ficam bloqueadas repetidamente durante o sono, dificultando a passagem de ar.⁹ Esses bloqueios podem reduzir ou interromper completamente o fluxo de ar, causando pausas repetidas na respiração ao longo da noite.
Os sintomas da AOS podem incluir:⁹
Sonolência excessiva durante o dia
Dor de cabeça matinal
Irritabilidade ou mudanças de humor
Dificuldade de concentração e de se manter atento durante o dia
Ronco ou sensação de falta de ar durante o sono
A AOS grave não tratada está associada a um risco 2,6 vezes maior de infarto do miocárdio, revascularização coronariana, insuficiência cardíaca congestiva ou morte cardiovascular.¹² Pessoas com apneia do sono grave apresentam um risco 123% maior de acidentes de trânsito.¹³ A falta de sono de qualidade também pode causar confusão mental, dificuldade de concentração, menor produtividade no trabalho e tensão nos relacionamentos.
A terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) é um tratamento para apneia do sono que ajuda a manter as vias aéreas abertas durante o sono.¹⁴ Um aparelho de CPAP fornece um fluxo constante de ar por meio de uma máscara.
A terapia com CPAP é um tratamento que não utiliza medicamentos. Um sistema de CPAP típico inclui três partes: um aparelho de CPAP, um tubo flexível e uma máscara que se ajusta sobre o nariz ou sobre o nariz e a boca. A pressão do ar ajuda a manter as vias aéreas abertas, favorecendo uma respiração regular durante o sono.14
Agora, vamos entender como o álcool pode afetar o sono e a respiração. Ele pode agir sobre o sistema nervoso central, os músculos e os ciclos do sono.¹
Algumas pessoas tomam uma bebida antes de dormir para ajudar a adormecer. O álcool age como sedativo, reduzindo a atividade cerebral e promovendo uma sensação de relaxamento. À medida que o organismo metaboliza o álcool, o efeito sedativo diminui.¹⁵ A atividade cerebral pode aumentar, provocando despertares frequentes na segunda metade da noite.¹⁶
Além disso, o álcool pode reduzir o tempo passado em sono REM (movimento rápido dos olhos), o estágio vital para restauração, processamento emocional e memória.⁷,¹⁷ A redução do sono REM pode fazer com que a pessoa se sinta cansada, desatenta e irritada no dia seguinte, independentemente de quantas horas passou na cama.
Mesmo para alguém com vias aéreas saudáveis, o relaxamento muscular causado pelo álcool pode provocar ronco em quem normalmente não ronca.⁶,¹⁸,¹⁹ Para quem tem apneia obstrutiva do sono (AOS), os efeitos podem ser mais significativos.¹
O álcool relaxa os músculos da garganta. Esse relaxamento aumenta a possibilidade de estreitamento ou colapso das vias aéreas durante o sono.
Um efeito potencialmente grave que o álcool pode ter em pessoas com apneia obstrutiva do sono é a resposta de despertar retardada.²⁰ Normalmente, quando as vias aéreas se fecham, o cérebro sinaliza ao corpo para despertar e respirar novamente. O álcool atua como depressor do sistema nervoso central, reduzindo a rapidez com que o corpo responde às quedas de oxigênio durante o sono.
Em condições normais, o cérebro detecta rapidamente a queda de oxigênio e desperta o corpo para respirar. O álcool pode retardar essa resposta do organismo, fazendo com que as interrupções da respiração durem mais do que o normal.⁵ Pausas respiratórias mais longas podem sobrecarregar o coração e tornar sintomas como ronco ou sensação de falta de ar mais evidentes, à medida que o corpo se esforça para restaurar o fluxo de ar.²¹
O álcool pode dificultar o uso consistente da terapia com CPAP.²² Assim, justamente nas noites em que o álcool afeta o sono, o uso do CPAP também pode se tornar mais difícil.⁵
O álcool pode causar efeitos que tornam o uso da máscara de CPAP menos confortável.² Beber antes de dormir pode causar congestão nasal, boca seca e irritação na garganta — o que pode tornar o uso de uma máscara nasal ou de almofadas nasais menos confortável. ²
O álcool pode favorecer a congestão nasal e aumentar a probabilidade de respirar pela boca durante o sono. Isso pode causar boca seca e dificultar o uso confortável do CPAP.²³
Para quem consome álcool ocasionalmente, o uso do aparelho pode ser especialmente relevante nas noites em que o álcool afeta a respiração, já que as vias aéreas podem estar mais propensas a estreitar durante o sono.²²
Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:
Evite consumir álcool nas horas próximas ao horário de dormir.
Mantenha-se hidratado ao consumir bebidas alcoólicas.
Procure usar o CPAP durante todo o período de sono, inclusive após o consumo ocasional de álcool.
Quando falamos de álcool e apneia do sono, os efeitos podem ir além da qualidade do sono.
O consumo de álcool e a apneia do sono não tratada podem aumentar o risco de pressão alta, AVC, arritmias e doenças cardíacas.²⁴ A apneia obstrutiva do sono (AOS) grave está associada a um risco 2,65 vezes maior de morte relacionada ao coração.²⁵
Quando a respiração para, os níveis de oxigênio caem. Normalmente, qualquer valor abaixo de 90% é considerado perigoso para a saúde.²⁶ Em resposta a essas quedas, o organismo pode liberar hormônios do estresse, como a adrenalina. Essa resposta pode elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca durante o sono — um período em que a frequência cardíaca normalmente tende a diminuir. Com o tempo, esse estresse repetitivo pode contribuir para pressão alta crônica e fibrilação atrial (batimento cardíaco irregular).²⁷,²⁸
A apneia obstrutiva do sono grave está associada a maior risco de problemas graves de saúde ao longo do tempo, incluindo doenças cardiovasculares. Estudos mostram que pessoas com AOS grave apresentam maior risco de morte por causas cardiovasculares quando comparadas àquelas sem apneia do sono.²⁵ O consumo de álcool pode piorar os episódios de interrupção da respiração durante o sono, aumentando a sobrecarga sobre o organismo.
A AOS não tratada está associada à síndrome metabólica, um conjunto de alterações que inclui aumento da pressão arterial, alterações do colesterol e dos triglicerídeos, aumento da circunferência abdominal e dificuldade para controlar os níveis de açúcar no sangue. A apneia obstrutiva do sono grave também pode dificultar o controle da glicose e está frequentemente associada ao diabetes tipo 2.²⁹ De fato, 72% das pessoas com diabetes tipo 2 apresentam alguma forma de apneia do sono.³⁰
As bebidas alcoólicas podem contribuir para a ingestão de calorias e, dependendo da bebida, de açúcar, o que pode complicar ainda mais o controle glicêmico e o peso. O ganho de peso é um fator de risco significativo para a apneia do sono.³¹ O excesso de tecido no pescoço pode exercer mais pressão sobre as vias aéreas e dificultar a respiração.
Mudanças nos hábitos de consumo de álcool podem influenciar a qualidade do sono e a eficácia do tratamento.³²
Alguns cuidados relacionados ao consumo de álcool podem ajudar a preservar a qualidade do sono:
Limite o consumo de álcool, especialmente nas horas próximas ao horário de dormir. Quanto menor o consumo, menores tendem a ser os impactos sobre o sono e a saúde.
Evite refeições pesadas ou sedativos antes de dormir. Assim como o álcool, refeições pesadas podem prejudicar o sono, e outros sedativos podem relaxar os músculos da garganta.
Mantenha o ambiente de sono escuro, silencioso e fresco. Esse tipo de ambiente favorece um descanso mais profundo e pode ajudar a contrabalançar parte da inquietação causada pelo efeito rebote do álcool.
Outros hábitos também podem contribuir para a saúde do sono e o manejo da apneia. Algumas medidas que podem ajudar incluem:
Mantenha as terapias prescritas, como a terapia com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP). Manter o uso consistente da terapia é importante para obter seus benefícios. Mesmo após consumir álcool, procure manter o uso da terapia durante todo o período de sono.
Mantenha um peso saudável. O controle do peso pode ajudar a reduzir a gravidade da apneia do sono e melhorar a saúde geral.³⁴
Controle alergias ou congestão nasal. Manter o nariz desobstruído pode facilitar a respiração e tornar o uso do CPAP mais confortável.
Pratique técnicas de relaxamento. Se o álcool costuma ser usado para relaxar, outras estratégias podem incluir meditação, exercícios de respiração, alongamento leve ou leitura.³⁵,³⁶ Essas práticas podem reduzir a frequência cardíaca e ajudar a preparar o corpo para o sono.
Durma de lado. Para algumas pessoas, dormir de barriga para cima pode favorecer o estreitamento das vias aéreas durante o sono. Dormir de lado pode ajudar a manter a passagem do ar mais livre e reduzir os eventos respiratórios.37
Considere marcar uma consulta com um profissional de saúde se:
O ronco ou a sensação de falta de ar piorarem depois de beber.
Você se sentir anormalmente cansado, esquecido, ansioso ou irritado.
Você estiver bebendo com mais frequência.
Você costuma consumir álcool para conseguir adormecer.
Um profissional de saúde pode orientar sobre os próximos passos de acordo com cada situação. Esse profissional pode avaliar o plano de tratamento e indicar recursos de apoio, quando necessário. Conversar abertamente sobre seus hábitos — incluindo a quantidade de álcool que você consome — ajuda o profissional a criar um plano de tratamento adequado à sua rotina.
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